Quetzalcóatl: O Voo que Rasteja
Em honra ao divino que habita todos os opostos reconciliados. 🐍🦅
— Hector Othon
Há um voo que não nasce do vento,
mas da serpente que despertou no chão —
e uma serpente que não rasteja,
mas desenha círculos de luz na terra.
Tuas penas são escamas douradas ao sol,
tuas escamas, asas dobradas no barro.
Levas o céu no lombo
e carregas a terra nas costas.
Não és pássaro que foge do húmus,
nem réptil que ignora o infinito.
És ponte viva entre abismo e êxtase,
suspiro de Deus entre lama e estrelas.
Tua boca não cospe veneno —
beija, canta, saboreia,
e derrama cantos que tecem mundos.
Teu bico não rasga carne,
mas desata nós de antigas mentiras.
Quando sobes,
levas a serpente para dançar com as nuvens.
Quando desces,
ensinas ao céu o segredo do telúrico:
a adoração.
Não buscas presas —
sementes de milho brotam em teu rastro.
Não temes predadores —
teu corpo é espiral de morte e renascimento.
Vives encontros físicos
que geram estrelas.
Quetzalcóatl,
arquiteto da Geometria Sagrada,
tecedor de tempos que se beijam,
guardião do instante em que o voo
e o rastejar
se reconhecem como a mesma prece.
o paradoxo sagrado
encontrem no mito
a permissão para serem:
horizontalidade e verticalidade,
espiral —
céu que vive o chão,
chão que se inspira nas alturas.
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