Que tal, então, se a vida virar rito de prazer e presença?

Que tal se dançamos — 
a pele contando segredos que a boca ainda não disse

E se cantamos — dentes, língua, boca, ressonadores
vibrando...

E se namoramos — vulnerabilidade aberta,
com o olhar que diz “estou aqui e agora?”.

Dormimos abraçados,
acordamos namoramos,
comemos o dia com fome boa,
o pão, a fruta, o toque, a pele, o riso.

Passeamos pelo mundo,
pelas ruas, pelos lençóis,
pelos pensamentos um do outro,
pelas memórias e futuros não planejados.

E cantamos de novo.
E dançamos mais.
E namoramos até o suspiro virar ponte.
Gargalhamos até a barriga doer.
Sorrimos até o rosto virar sol.

Corremos sem destino,
saltamos como quem volta a ter sete anos,
rolamos pelo chão como amantes, guerreiros, crianças, deuses.

Nos abraçamos como quem se encontra depois de séculos.
Beijamos como quem precisa daquilo para existir.
Beijamos mais uma vez —
porque beijo nunca dura o suficiente.
Lambemos a vida,
olhamos o dentro e o fora
e nunca mais paramos.

Porque, se for para viver,
que seja com todo o corpo,
com toda a alma,
com toda a música,
com todo o gozo,
com toda a verdade.

Se for para amar,
que seja sem freio,
sem medo,
sem relógio.

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