Horóscopo do Fim de Semana — do Céu Vivo
Hector Othon

Há um silêncio fértil no fundo do tempo.
O céu abre sua raiz.

O sopro de vento celeste anuncia: a alma quer espaço. Pulsa a terra sagrada — o solo chama pelo toque, pelo corpo, pela presença que não foge do sentir. 

Nasce em águas profundas e derrama luz líquida sobre as fundações invisíveis. Algo dentro quer dissolver as paredes e voltar a ser oceano. Vênus e Mercúrio, também banhados nesse mar, transformam palavra em perfume e afeto em oração. Conversas curam. Silêncios revelam.

A chama inaugural dança sobre o ventre do mundo. Emoções vêm como centelhas — rápidas, instintivas, verdadeiras. Não peça calma ao coração: peça coragem.

Saturno e Netuno, unidos na aurora do zodíaco, guardam o portal do destino. Sonho e estrutura se olham como dois anciãos que finalmente se reconhecem. O que é real precisa de alma. O que é sonho precisa de ossos.

Marte e Plutão no sopro visionário sopram brasas de transformação. O futuro chama pelo nome secreto de cada ser. Não há retorno ao que já perdeu vida.

Júpiter retrógrado no ventre das águas antigas expande memórias. A casa interna se alarga. Antepassados sussurram bênçãos através das paredes do tempo.

Urano no coração da terra vibra como trovão subterrâneo. Mudanças não virão de fora — nascerão de dentro, como raízes quebrando pedra.

Este fim de semana é um útero cósmico.
Não é tempo de correr.
É tempo de escutar o chão.

Se te aquietares, ouvirás:
o universo está respirando por dentro de ti.

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